CAPÍTULO II
Estava decidido. Tudo acertado, inclusive. Formas de pagamento, papelada e andamento. Amanhã era só levar o Herbie, "assassinar" os papéis e pegar o corsa.
Fui pra casa, acreditando ser esta a última volta de Herbie. Dormir, acordar e tudo estaria acabado. Era bom ir acostumando minha mente... Eu não teria mais um carro para fazer fotos legais, para surpreender as pessoas, para ter aventuras só por andar com ele, para se ter um blog por ele, para ir a lugares distantes e arrancar sorrisos doces admirados com a simplicidade tão bem acompanhada, para ser referência, coisas de fusca, do Herbie, só dele. Eu traira um sentimento real (e recípocro?). Mas para quê tanto drama, não é mesmo? Seria minha solução. Seria? Pois por que eu estava tão aflita? Não era pela mudança. Era por ele! Parece bobo, eu sei. E realmente é! Mas e daí? MEU sentimento, não há regras que digam que precisa ser coerente e sano, não há regra alguma! Aliás, regras em demasia são chatas, limitar-se é chato. Já viu algum bar ter regras que proibam você de abraçar, de beijar? Eu já! Ridículo! Existem regras para estabelecer uma ordem, ok. Mas estamos falando de sentimento, um plano em que sanidade e ordem são incoerentes!
Dispersão a parte, meu pai viria para assinar os papeis naquela manhã e executar todos os trâmites, a parte dolorosa. Ele passaria aqui em casa, pegaria o fusca e rumaria para a revenda. Conjugado assim, futuro do pretérito. O planejado era este.
Hoje estava comentando que gosto de ser surpreendida. Às vezes as coisas precisam sair do roteiro... Dá um sabor de maracujá azedinho, mas que é bom mesmo assim. Dá a sensação de queda livre, de que não, tu não és dono do teu destino apesar de regê-lo com maestria. Aquela insegurança boa, uma expectativa infinita, bonita e gostosa sobre a vida.
Enfim, tudo isso para dizer que as coisas não sairam conforme planejado. E que foi bom!
O bom foi o desfecho, mas não o acontecido. O fusca fundiu o motor, na manhã em que seria levado à revenda, pode? Decidi, desta forma, NÃO vendê-lo! Quer uma prova de amor maior que essa? Uma manifestação clara de que não fui eu que o escolhi, mas fora ele! É comigo que ele quer ficar, e é comigo que ele vai ficar. Mandei ele direto para a U.T.I. Em uma semana estará recuperado da cirurgia e estará pronto para as plásticas de renovação. Mandei fazer o motor, e em seguida (mesmo que aos poucos) farei todo o resto: lata, piso, estofamento, peças, detalhes, tudo! Inclusive mudarei de cor, mas não escrevi um roteiro, porque quero a insanidade das incertezas e das escolhas impulsivas, sempre fora assim ao seu lado... Repito: Ser surpreendido, sair do script, pode ser o que falta... E já pensou que pode ser, pode ser muito bom?
Reforço: Planejamento, regras, roteiros são válidos e alguns até prometem final feliz... Mas o que são promessas perante as ações expontâneas e e involuntárias exercidas pela vontade, pelo sentido, desejo, sentimento? Eu sou mais lado esquerdo, menos exatas, menos razão, mais emoção, mais arte, mais amor!
Obrigada a todos que colocaram suas opiniões!
Independente do que eu ou meu pai decidiria, prevaleceu a decisão dele: HERBIE!
Não vejo a hora de tê-lo de volta...
E estamos aí, a Loira, o Fusca e você por muito tempo! =D
Beijo da eterna Loira do Fusca!
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domingo, 29 de maio de 2011
domingo, 22 de maio de 2011
Vender ou não vender?
CAPÍTULO 1
A paixão de que tanto falo, o apego expresso pelos outros posts é real e notável apesar de me parecer um tanto banal... Poxa, estamos falando de um carro, um bem material!
No entanto me sinto traidora dos meus sentimentos ao generalizar o Herbie.
Me vi em situação complexa, ao passo que o Herbie começou a enguiçar, falhar, negar, reclamar, etc. Já não era só mais cabo de acelerador, velocímetro, sinaleiras... As coisas não estavam bem.
Após uma sequência de fatos relacionados a esses problemas, eu o levei ao médico. Eis que o veredito foi me dito sem cerimônias com todo o profissionalismo do doutor: "Assim ó guria, acho mió tu vender esse fuca... ou tu vai tê qui gastá uma baita grana..."
Fiquei calada e pasma, era como se ele me dissesse que o Herbie está com os dias de vida contados, ou que ia precisar de um milagre para salvá-lo, já que a baita grana eu não tinha.
Vender??? Eu precisava do meu pai. Embora já soubesse a opinião dele sobre isso, ele sempre me salvava quando eu não sabia que caminho tomar, ou pelo menos me dava um colo para que eu pudesse chorar. "Filha, chorar não adianta. Vamos vender o fusca!" Eu sempre me senti segura quando meu pai tomava a frente dos meus problemas, mas agora nada parecia ser correto. Necessito sim de um carro, que funcione... Não tive muita escolha a não ser concordar. O Herbie seria a entrada para outro carro, mais novo, menos problemático. Com isso meu pai o deu veramente a mim, a primeira vez que eu senti e pude dizer MEU, seria necessário vendê-lo. Meu pai me convenceu que o fusca me daria problema sempre, que o funcional seria um carro com injeção eletrônica etc etc.
Que assim o fosse, se tivesse que ser... =(
Foram semanas de angústia perante aquela decisão unânime.
Pensei no blog muitas vezes... Não seria capaz de mudá-lo: A loira e o corsa. O_O NÃO!
O que vós farieis em meu lugar?
[CONTINUA NO PRÓXIMO EPISÓDIO]
Beijos da eterna Loira do Fusca!
A paixão de que tanto falo, o apego expresso pelos outros posts é real e notável apesar de me parecer um tanto banal... Poxa, estamos falando de um carro, um bem material!
No entanto me sinto traidora dos meus sentimentos ao generalizar o Herbie.
Me vi em situação complexa, ao passo que o Herbie começou a enguiçar, falhar, negar, reclamar, etc. Já não era só mais cabo de acelerador, velocímetro, sinaleiras... As coisas não estavam bem.
Após uma sequência de fatos relacionados a esses problemas, eu o levei ao médico. Eis que o veredito foi me dito sem cerimônias com todo o profissionalismo do doutor: "Assim ó guria, acho mió tu vender esse fuca... ou tu vai tê qui gastá uma baita grana..."
Fiquei calada e pasma, era como se ele me dissesse que o Herbie está com os dias de vida contados, ou que ia precisar de um milagre para salvá-lo, já que a baita grana eu não tinha.
Vender??? Eu precisava do meu pai. Embora já soubesse a opinião dele sobre isso, ele sempre me salvava quando eu não sabia que caminho tomar, ou pelo menos me dava um colo para que eu pudesse chorar. "Filha, chorar não adianta. Vamos vender o fusca!" Eu sempre me senti segura quando meu pai tomava a frente dos meus problemas, mas agora nada parecia ser correto. Necessito sim de um carro, que funcione... Não tive muita escolha a não ser concordar. O Herbie seria a entrada para outro carro, mais novo, menos problemático. Com isso meu pai o deu veramente a mim, a primeira vez que eu senti e pude dizer MEU, seria necessário vendê-lo. Meu pai me convenceu que o fusca me daria problema sempre, que o funcional seria um carro com injeção eletrônica etc etc.
Que assim o fosse, se tivesse que ser... =(
Foram semanas de angústia perante aquela decisão unânime.
Pensei no blog muitas vezes... Não seria capaz de mudá-lo: A loira e o corsa. O_O NÃO!
O que vós farieis em meu lugar?
[CONTINUA NO PRÓXIMO EPISÓDIO]
Beijos da eterna Loira do Fusca!
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